Violência Urbana

vanqa8Escutei esta notícia no rádio hoje à tarde e também fiquei indignada com o ocorrido: imagine você pedir um sorvete na loja, a funcionaria errar o sabor e o cliente jogar o sorvete na cara da funcionaria????

Surreal??? Não. Aconteceu hoje na cidade do Rio de Janeiro.

A atitude das pessoas que passavam por perto também era de perplexidade, mas o que também me assustou foi a vontade coletiva de linchar o agressor.

Queriam fazer justiça com as próprias mãos….

Como o autor do texto diz…. não acreditam mais na justiça. Por que está mesmo difícil de acreditar.

Será que o caos urbano está nos deixando cada vez menos humanos??? Ou enlouquecemos de vez?

Enviado por Jorge Antonio Barros -

24.10.2010

Uma agressão e a ponta do iceberg do estresse de todos nós

Arrastões, assaltos, pânico, correria, tiroteios, bala perdida, boatos de crimes, engarrafamento, acidentes, ruas fechadas, caminhos interrompidos, campanha eleitoral, patrulha eleitoral, agressões, ofensas, farsas, dossiês, fita crepe, bolas com água, bolinhas de papel.

Estamos todos estressados, com os nervos à flor da pele, ou é impressão nossa? Estamos perdendo o auto-controle ou a situação está absolutamente sob controle desde que não seja com a gente? Estamos fingindo que nos importamos com a dor do outro ou estamos realmente habituados a um cotidiano de histórias dramáticas que nada disso nos comove mais?

O primeiro parágrafo de constatações e o segundo de interrogações são a síntese da minha reação a um episódio aparentemente banal, mas que me deixou um tanto perplexo essa noite de sábado, no Rio de Janeiro. Acompanhado da mulher e de dois filhos menores, um homem jogou um sorvete de iogurte no rosto da gerente de uma loja no Shopping Tijuca, área de classe média da Zona Norte do Rio. Com a proteção de seguranças do shopping, que isolaram o local, ele permaneceu acuado dentro da loja por cerca de três horas até que homens que se apresentaram como policiais civis conseguiram levá-lo para a 19a DP (Tjuca), por volta das 20h30m deste sábado.

O homem, identificado mais tarde como sendo técnico de informática, saiu do shopping sob vaias e gritos ameaçadores de alguns populares que ficaram indignados com a violência praticada contra a funcionária da loja de iogurte. Durante cerca de uma hora, em que fiquei no local até o desfecho do caso, ouvi várias ameaças de linchamento ao homem, feitas por pessoas bem vestidas, que passeavam no shopping. Alguns gritaram que o agressor deveria ser enquadrado na Lei Maria da Penha.

A causa da briga foi banal. Uma discussão motivada pela falta da cobertura de chocolate, que teria sido pedida pela mulher do agressor, levou o homem a jogar o sorvete no lixo e depois atirá-lo no rosto da funcionária. Uma atitude realmente insana, que não deve ser jutisficada em hipótese alguma. Independentemente do que a funcionária possa ter dito, agir de modo violento foi a pior opção tomada pelo cliente. Não importa se a agressão é uma bolinha de papel ou uma bola de sorvete. Ninguém tem o direito de ir às vias de fato porque isso é crime previsto no Código Penal. Por mais que seja longo e difícil, o caminho do Tribunal é o mais adequado para se pleitear Justiça ou mesmo se tirar as diferenças. Mesmo quando sabemos que – como diz o coronel Nascimento, de Tropa de Elite 2 – o “sistema” não ajuda.

A violência – tanto na política quanto no cotidiano – infelizmente tem sido a opção mais fácil para boa parte das pessoas, que parecem não acreditar mais nas instituições. Me espantei ao saber que os populares, em número que variava entre 20 e até 60 pessoas, no fim – se concentravam desde às 17h30m na frente da loja de iogurte, destilando sua sede de Justiça e uma vontade de pegar o agressor e lhe aplicar uma lição ali mesmo, de modo impiedoso e coletivo. Calejados pela sensação de impunidade, eles poderiam estar querendo comprovar que o agressor seria realmente punido. Mas muito provavelmente cada pessoa iria reagir com medo e até indiferença se assistisse sozinha à cena de agressão promovida pelo cliente da loja de iogurte. Mas juntos, sob o manto do anonimato, todos se mostraram fortes e prontos a reagir contra a violência, empregando os mesmos ou piores métodos que o agressor, se possível fosse.

Ninguém imaginou sequer dar um banho de sorvete no agressor. Senti um gosto de sangue na boca de alguns dos populares que cercaram a frente da loja, isolada pelos seguranças que tiveram êxito em manter a turba sob controle. Mesmo sem o apoio oficial da polícia. A vítima foi levada para a delegacia por policiais civis num táxi. E somente após o desfecho do episódio, chegou ao shopping um PM do 6o Batalhão (Tijuca), armado de fuzil.

Texto extraído daqui.

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Tags: , , , , Esse texto foi postado em domingo, 24 de outubro de 2010 às 22:29 nas categorias Caos Urbano, Comportamento, Rio de Janeiro, Violência Urbana. Você pode seguir as respostas pelo RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou trackback do teu próprio site.

3 Comentários para “Violência Urbana”

  1. Ilaine escreveu:

    Ah, que loucura!
    Muitas vezes nos encomodamos com alguma coisa, mas é preciso manter a calma. Jogar o sorvete na cara da gerente é muita violência.
    E o que assusta foi a reação de outros clientes… Acredito que a violência jamais possa ser uma opção. Que triste isto! Beijo

  2. Jussara Xavier escreveu:

    Eu tenho visto muito disso por aí, as pessoas não se dão conta que quando xingam no trânsito ou até mesmo dão tiros são violentas, e muito.Elas dizem que não sao violenta, tenho certeza que quem conhece esse rapaz vai dizer que ele não é violento. Assim como o atropelador do filho da Ciça, o pai da garotinha Joana e tantos outros que querem fazer justiça com as próprias mãos aqui e agora, ou sequer acham que dirigir a 100km por hora e uma forma de desrespeito. Infelizmente estamos assistindo uma crise de valor!
    abs
    Jussara

  3. Grace Olsson escreveu:

    Sonia, os valores mudam, as pessoas perdem a nocao de realidade ponto de referencia.

    MENINA, ACHO QUE ESTAMOS TODOS MORTOS E NAO SABEMOS.
    BJS E DIAS FELIZES

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