Ferreira Gullar

20070816FerreiraGullarTítulo de Honoris Causa para Ferreira Gullar (15 de out/2010)

No dia do Professor, um poeta foi homenageado na UFRJ. Nesta sexta-feira, 15 de
outubro, a instituição outorgou ao escritor Ferreira Gullar o título de
Doutor Honoris Causa.
Em cerimônia emocionada, realizada no saguão da Biblioteca
José de Alencar, na Faculdade de Letras (UFRJ), autoridades da universidade,
funcionários e estudantes se reuniram para celebrar um dos fundadores do
movimento Neoconcreto.
Aos 80 anos e com sua sobriedade típica, Ferreira Gullar narrou episódios
curiosos de sua infância e juventude, como quando, depois de obter nota nove em
uma redação, decidiu dedicar dois anos ao estudo da Gramática para não cometer
erros de Português.
Esse fato foi o que aproximou Gullar de importantes
expoentes da Literatura Portuguesa, como Camões, por exemplo. “Se alguém tivesse
dito ao pequeno Zeca, aquele que roubava copos e juntava metal velho no
Maranhão, que ele seria doutor, ele não teria acreditado ou não teria entendido,
porque nunca tinha ouvido falar em universidades”, disse.

Bem humorado, o poeta provocou gargalhadas no público presente ao atribuir ao
acaso a responsabilidade de ter se tornado “doutor”. “Tudo que aconteceu poderia
não ter acontecido. Se estou recebendo este título é porque o que fiz como
escritor e cidadão foi relevante. Sem o imprevisível a vida seria mais segura,
mas teria menos graça”, destacou.

O reitor Aloisio Teixeira enfatizou, durante discurso, que a outorga do título
de DoutorHonoris Causa para o poeta foi um ato de justiça. “Essa cerimônia é o
reconhecimento de que, por mais importante que o conhecimento tecnológico e
científico seja importante, ele não muda o mundo. A transformação do mundo está
aqui, no terreno das humanidades
. A UFRJ se sente honrada de que o poeta
Ferreira Gullar aceite esta homenagem”, assegurou.

O homem por trás do poeta
Ferreira Gullar ou José Ribamar Ferreira nasceu em 1930, em São Luís do
Maranhão. Aos 19 anos, publicou o primeiro livro, intitulado Um pouco acima do
chão (1949). Dez anos depois, escreveu o Manifesto neoconcreto, um dos marcos da
poesia brasileira contemporânea. A luta corporal, de 1954, e Dentro da noite
veloz, de 1975, são duas das obras mais ressonantes do poeta.
Na década de 1960, durante a Ditadura Militar, se notabilizou ao participar da
criação do grupo teatral “Opinião” e erguer a voz contra o poder opressor. Foi
preso e exilado. Morou na Rússia, no Chile, no Peru e na Argentina. Retornando
ao Brasil, em 1977, voltou à prisão, onde foi interrogado por 72 horas
ininterruptas.
Escreveu mais de 50 obras, entre livros, poemas e ensaios. Sua literatura foi
traduzida e publicada em diversos países. A inventividade metafórica bem como a
mescla lexical e os cortes cinematográficos de seus textos atraíram admiradores
de todo o mundo. “Há muitos ‘gullares’ num Gullar. Plural que se deve não só à
sua obra, mas que está na diversidade de cada um de seus discursos. O desejo de
conhecer, de transpor barreiras e de modificar-se com o conhecimento é comum a
este poeta”, afirmou Antônio Carlos Secchin, professor da Faculdade de Letras e especialista na
obra do escritor.

O título
O título Honoris Causa é concedido à personalidade, brasileira ou estrangeira,
que tenha se distinguido pelo saber ou pela atuação em prol das artes, das
ciências, da filosofia, das letras ou do melhor entendimento entre os povos.

Assim como Ferreira Gullar, o escritor pernambucano João Cabral de Melo Neto
também foi agraciado, há 20 anos, pela UFRJ com este título. “Nenhum título
honorífico faz sentido se os estudantes não o fizerem vivo. Não adianta dar ao
escritor um papel e deixar seus livros nas prateleiras das bibliotecas. Na
Letras, estudantes e professores mantêm viva a poesia de Gullar”, concluiu.

**** Gosto muito deste poema de Ferreira Gullar mas preciso/samos conhecer  mais a sua obra…

Traduzir-se

Ferreira Gullar/Fagner

Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguém
Fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim, pesa
Pondera
Outra parte, delira
Uma parte de mim almoça e janta
Outra parte se espanta
Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente
Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte, linguagem
Traduzir uma parte noutra parte
Que é uma questão de vida ou morte
Será arte?
Será arte?

Escutem Chico Buarque e Fagner cantando ‘Traduzir-se’ . Lindoooooooo!

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Tags: , , , , , , , Esse texto foi postado em quarta-feira, 20 de outubro de 2010 às 00:34 nas categorias Chico Buarque, Fagner, Ferreira Gullar, Literatura, Livros, Poesia, Prêmio, música. Você pode seguir as respostas pelo RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou trackback do teu próprio site.

Um comentário para “Ferreira Gullar”

  1. Albuq escreveu:

    Vou dizer assim para os post todo: BELO!

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