Sobre a morte e o morrer

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Sei que este é um tema sobre o qual muita gente evita falar. Mas fato é que a vida e a morte caminham sempre juntas. Para morrer, basta estar vivo. Parece óbvio, mas raramente pensamos nisso.

Eu pessoalmente evito o assunto, pois no estágio de vida em que me encontro, rezo a Deus todos os dias para que me dê ainda muitos anos de vida porque tenho uma linda família, um marido amoroso como sempre sonhei,  filhos para criar e gostaria muito de poder  vê-los se desenvolverem na vida. E mais,  pretendo ainda viajar muito, ler muitos livros, compartilhar experiências únicas com meus outros familiares e amigos, trabalhar, estudar, fazer doutorado, aprender, ouvir muita música, ver muitos filmes, dar muitas risadas, apreciar a natureza, enfim, ter uma vida plena e feliz.

Mas se fosse assim, somente desejar viver, ninguém morreria, ou quase ninguém, pois quem ama a vida, quer agarrar toda e qualquer oportunidade para prolongá-la o máximo possível. Vejam Niemeyer – graças a Deus, se recuperando e vivendo seus 102 anos de glória e sabedoria!

Eu tenho certeza absoluta que se a minha tia Helena tivesse podido escolher, ela teria optado por agarrar-se à vida, Tia Helena era muito querida por nós. Mas Deus a chamou no dia 2 de maio último. Agora não sofre mais de dor. Seu semblante era de paz.

No entanto, é sempre muito doloroso dizer adeus a quem amamos, mesmo que seja (na minha esperança e fé) um até qualquer dia. Tia Helena era a irmã mais velha de minha mãe e sempre foi uma tia muito presente em nossas vidas.

Perdi meu pai em 1996 e a saudade é eterna.  É uma dor inexplicável que demora a estancar – e depois, com o passar dos anos, essa dor se transforma numa eterna saudade. Ver a minha tia morta me fez lembrar do dia mais triste de minha vida – o dia em que meu pai morreu.

Meu pai era o meu herói. E a minha tia era a heroína das minhas primas. Por isso deixam tantas saudades em nossos corações. Ambos foram pessoas que plantaram sementes do bem entre nós. Eu tenho certeza que os dois estão ao lado do Pai agora.

Encontrei um texto do Rubem Alves que muito me sensibilizou – ele fala justamente sobre a morte e o morrer. Leiam aqui.

Imagem extraída daqui.

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Tags: , , Esse texto foi postado em quarta-feira, 5 de maio de 2010 às 16:12 nas categorias Família, morte, saudades, vida. Você pode seguir as respostas pelo RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou trackback do teu próprio site.

5 Comentários para “Sobre a morte e o morrer”

  1. Albuq escreveu:

    Oi Sônia, sinto muito!
    Sei que nessas horas não há muito o que dizer, somente ser amigo fiel para ouvir.
    Sei o que é isso, em 2005 perdi uma tia que amava muito, muito mesmo. Foi um dos piores momentos que vivi… mas, fui aprendendo a viver com o amor que ficou que é a saudade. Valeu o tempo que vivemos juntos e um dia nos encontraremos de novo…

    O amor é eterno!
    bjs querida!

  2. Grace Olsson escreveu:

    Sonia, a gente nunca vai se preparar para a morte. NUNCA. E QUANDO NOSSOS ENTES QUERIDOS SE VAO DEIXAM UM VAZIO SEM FIM.
    SE CUIDA E PONHA TUA VIDA NAS MAOS DO PAI MAIOR.NINGUÉM MELHOR QUE EL PARA CUIDAR DE NÓS.BJS E DIAS FELZIES

  3. Bete escreveu:

    Ola querida
    Sinto muito pela perda de sua tia. É sempre muito doloroso.
    Ja faz tanto tempo que meus filhos partiram e mesmo assim, as lembranças e a saudades são constantes.
    Bjs no coração

  4. georgia aegerter escreveu:

    Sonia, já tinha lido teu post pelo email, mas ainda nao tinha lido a sua dica sobre o texto do Rubem Alves e por isso nao quis escrever antes um comentario.

    Infelizmente tudo que vive um dia terá que morrer, outra frase óbvia.
    Tb temos em deixar meus filhos se um dia me for cedo. Oro a Deus pedindo dias de vida como presente.

    Eu tenho meus pais vivos, portanto ainda nao conheco essa parte da vida o da separacao através dessa dor.

    O texto de Rubem é muito parecido com o que eu sempre digo aqui: Acrescenta-se tanto ao ser humano tantos aparelhos para que ele viva e no entanto ele nao vive, vegeta.
    Temos uma vizinha de 70 anos, ela é jovem ainda e tinha muita forca. De repente ficou doente e está há mais de um mês no hospital. Ela fazia tudo e até cuidava do jardim. Os médicos a colocaram nos aparelhos. A filha diz que se nao fosse isso ela já teria partido. Eu me pergunto como o rapaz do texto de Rubem: Prá que? Prá quem ela vive?

    Um beijo grande e te desejo um lindo dia das maes apesar da dor e das tuas preocupacoes por conta do dia 11.

  5. maria gorete coelho da silva escreveu:

    querida li o seu texto muito bom ,hoje eu defenderei um seminario sobre a morte e o morrer,e ao ler vaios textos;artigos sobre o assunto ,me comovem muito pois recentemente o meu pai faleceu vai completar 3meses no dia 02 de junho.
    querida realmente doi muito ao comentar este assunto da morte pois o meu pai tambem era o meu HEROI.
    abraços.

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