Desafio Literário de Abril – Escritor Latino-Americano

Neste mês de abril, escolhi ler o livro reserva – Memórias de minhas putas tristes – de Gabriel Garcia Marquez.

Escolhi o livro pelo autor, não pelo tema, pois nunca havia lido nada de Garcia Marquez. E quando eu penso neste autor, vem-me logo à mente o livro que o consagrou mundialmente, Cem Anos de Solidão e também Amor em tempos do Cólera . ( Ainda não li estes dois clássicos da literatura latino-americana , Ó Céus….)

Comprei o Memórias de minhas putas tristes porque estava numa ótima promoção – simples assim -  Mas posso dizer que o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1982 me surpreendeu com o título, pois à primeira instância, fiquei um tanto ‘escabreada’ com esse título. Será que vou gostar, logo pensei…

Que bom que enfrentei o meu ceticismo! Posso dizer que valeu à pena.   Fiz a leitura num impulso só.

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Dados técnicos do livro:

  • Editora: Record
  • Autor: GABRIEL GARCIA MARQUEZ
  • ISBN: 850107265
  • Ano: 2005
  • Edição: 1
  • Número de páginas: 132

A narrativa começa assim: ” No ano de meus noventa anos quis me dar de presente uma noite de amor louco com uma adolescente virgem. Lembrei de Rosa Cabarcas, a dona de uma casa clandestina que costumava avisar aos seus bons clientes quando tinha alguma novidade disponível. Nunca sucumbi a essa nem nenhuma de suas muitas tentações obscenas, mas ela não acreditava na pureza de meus princípios. Também a moral é uma questão de tempo, dizia com sorriso maligno, você vai ver” (p.7).

O homem que quer se presentear com essa noite de amor louco é um professor aposentado decadente que também é  crítico musical e jornalista, e que está prestes a completar 90 anos. Vive numa casa  herdada de seus pais e, vez ou outra,  precisa vender alguma peça da casa para complementar a renda.

A adolescente virgem trata-se de uma menina de 14 anos que ele ‘chama’ de Degaldina, mas seu nome verdadeiro não é revelado – ela é pobre e trabalha pregando botões numa fábrica. Precisa sustentar os irmãos.

A história se passa nos anos 30, numa cidade colombiana.

O que o título nos incita a pensar é que a trama a se desenrolar seguirá a fórmula grotesca do “homem velho, tarado, procurando por ninfetas”, mas não é.  Ainda bem!  Foi nesse ponto que meu ceticismo evaporou….

Na suposta noite de amor louco com a moça virgem, o velho jornalista encontra a menina adormecida no quarto alugado do bordel da cidade e ele não tem coragem de acordá-la: em vez disso, fica a admirá-la a noite inteira, numa espécie de ‘estado de anestesia amorosa’. A partir daí, o velho ancião fica totalmente enamorado pela ΅Bela Adormecida Degaldina”. Aquele será o primeiro de muitos encontros semelhantes, onde há muita contemplação amorosa.

Degaldina encontra-se sempre a dormir quando se encontra com o velho homem. E é assim que  o ‘triste sábio’, como é chamado pela dona do bordel, descobre o amor, aos 90 anos -  um amor platônico, sem contato carnal entre os dois. Entretanto, pode-se dizer que há nessa relação amorosa inventada pelo velho jornalista muitos ingredientes de uma relação (ou quase todos): a exaltação do outro, o desejo, a admiração, ciúmes, decepções, falta de apetite, amor e amor – um estado de encantamento arrebatador que o faz viver ou até mesmo morrer de amor aos pouquinhos e não da velhice propriamente dita, que é o que esperaríamos que acontecesse naquela altura da vida. É claro que tudo isso sob a perspectiva do velho e ‘triste sábio’…

Como Degaldina encontra-se sempre adormecida durantes os encontros ‘amorosos’ do casal,  os diálogos desse amor acabam por acontecer indiretamente através das crônicas que o jornalista escreve semanalmente no jornal local.  Nestes textos, o velho escreve sobre este amor que transborda suas fronteiras existenciais e que faz resgatar o prazer de viver.  Seus leitores agradecem e muitos compartilham de suas alegrias e angústias amorosas nos comentários que escrevem para o jornal.

Na contra-capa do livro, é mencionado que esta trama foi inspirada no romance  “A Casa das Belas Adormecidas” do Nobel japonês Yasunari Kawabata.  E mais, o constante adormecer de Delgadina também é uma clara referência ao Conto de Perrault, A bela Adormecida, que vive a espera de seu príncipe encantado.

Infelizmente não anotei o número da página da seguinte passagem, mas achei-a linda e diz assim:

“Hoje sei que não foi uma alucinação, e sim um milagre do primeiro amor da minha vida aos noventa anos”.

De um homem amargurado do início do livro, vê-se um homem que passa a amar a vida e até a se sentir mais jovem -

Uma cena maravilhosa do livro: adorei quando o velho apaixonado sai com sua bicicleta cantarolando e fazendo muitos rirem de seu ‘estado interessante’. Sabe quando ficamos bobos quando estamos apaixonados mas nem estamos nos importanto para o mundo exterior? A cena é mais ou menos assim.

Uma outra questão para reflexão a partir do tema do livro é sobre o ato de envelhecer. Em um determinado momento o personagem diz que a idade da gente tem a ver muito mais com a idade que se sente.   Eu concordo com o personagem. Quantas vezes encontramos pessoas jovens cronologicamente falando, porém tão velhas de espírtito ou vice-versa?

Quanto a mim, há dias que eu acordo me sentindo com 5 anos, outros eu me sinto com 15, 18, 40 ou 100.

O que vocês acham? A idade do calendário de vocês corresponde à idade que vocês sentem?

Este post faz parte do Desafio Literário do mês de Abril – Escritor Latino-Americano.

Visitarei todos aos poucos.

As imagens foram extraídas do google imagens.

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Tags: , , Esse texto foi postado em terça-feira, 27 de abril de 2010 às 00:50 nas categorias Desafio Literário 2010, Literatura, Livro. Você pode seguir as respostas pelo RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou trackback do teu próprio site.

6 Comentários para “Desafio Literário de Abril – Escritor Latino-Americano”

  1. aninha pontes escreveu:

    Sonia querida, que bela resenha você fez do livro.
    Também não li, mas confesso que me deu vontade de ler.
    Uma bonita hitória de amor, que, claro, só podia acabar asim mesmo, para ser tão bonita.
    Quanto à idade, eu confesso, que nunca me sinto com a idade que tenho. Sempre com menos, rsrsss..
    Beijos.

  2. Albuq escreveu:

    Não! Não consigo pensar que minha alma tem 30 anos. Não tenho nada contra os trinta, mas, não consigo sair dos 20 kkkkkkkkkk

    Adorei, vou ler também!

  3. beta escreveu:

    Adorei este livro!!!
    Está na minha lista de próximas compras, com certeza!

    bj

  4. Rosa escreveu:

    Eu adorei este livro do Garcia Marques, Sonia. Ao contrário do Cem anos de solidão, que já tentei começar diversas vezes, mas desisto. Muito atrapalhada aquela família pro meu gosto, nomes repetidos. Não tive paciência.

    Quanto à idade, guria, nem sei que idade eu tenho, mas juro que não é 65.
    Bjim.

  5. georgia aegerter escreveu:

    Sonia, que bela resenha.

    Desse autor eu só li Cem anos de solidao e adorei.

    Esse livro deve ter tantos sentimentos a nos despertar, ao menos foi o que me pareceu.

    Um beijao

  6. Vivi escreveu:

    Sonia, é bom conhecer autores novos? È uma sensação revigorante. Eu indico os dois livros que fizeram de García Marquez um escritor renomado.

    Excelente participação!

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