A maldição do crack

selo-crack2É fato que qualquer droga é uma espécie de maldição e um caminho certamente sinuoso com destino ao abismo, à total escuridão do ser.

Muito tem me assustado ver  o que tem acontecido nas grandes e também pequenas cidades brasileiras.  Esta semana, ouvi duas notícias que me chocaram, mas sei que há um monte de histórias semelhantes por este Brasil afora, de gente abandonada, largada à própria sorte. E sei também que este mal está acabando com tantas famílias, adultos, velhos e crianças.
A primeira notícia era sobre um menino de 5 anos que foi à padaria comprar pão para sua mãe e no meio do caminho, foi interceptado por um adolescente de 17 anos que o espancou e o torturou, já que o garotinho não tinha mais o dinheiro, pois já havia comprado o pão. O adolescente levou o menino para um matagal e jogou plástico derretido em suas mãos. Isto não aconteceu no Grande Rio ou na Grande São Paulo, mas numa cidadezinha gaúcha com um pouco mais de 29 mil habitantes – Estrela,

Tudo por que? Aquele adolescente é viciado em crack….

Outra história que ouvi no mesmo dia aconteceu no Rio de Janeiro, onde a mãe de três crianças pequenas foi até uma escola em uma comunidade carente para dizer que “não queria mais aquelas crianças (SEUS FILHOS!) e estava deixando-as lá”….

Vocês compreenderam a maldição???  A mãe foi até a escola devolver os filhos que ela concebeu:

“Não quero mais essas crianças”.….. Essa mãe e o marido são viciados em crack..

O que está acontecendo com o mundo, com as pessoas, meu Deus?????

O fato é que a situação está caótica, sem rumo …. e o poder público parece que fechou os olhos totalmente.

Já ouvi relatos semelhantes de histórias como estas aqui relatadas. E os jornais não se cansam de publicar casos desse tipo. Como daquela mãe que no mês passado colocou sua filha de 7 anos como escudo para que não levasse um tiro do homem que lhe cobrava o dinheiro de dívida das drogas.

Aquele anjinho de 7 anos morreu na hora com alguns tiros na cabeça…. Na seqüência natural das coisas, nós pensaríamos que aquela mãe iria fazer o inimaginável para proteger seu rebento. Mas não. Ela entregou sua filha ao bandido. Tudo por conta do vício da droga. Esta tragédia aconteceu na Baixada Fluminense, no estado do RJ.

Isso tudo me apavora. A crise é muito mais profunda do que se imagina.

Esta semana também estava ouvindo uma linda música da cantora norte-americana Whitney Houston, ‘I look to you’ e pensei também na história de vida dela.  Imaginem a Whitney Houston – com aquele lindo dom que Deus lhe deu – uma voz linda, cantora bem sucedida, rica, bonita. De repente, mergulha nesta maldição que é o vício pelo crack e outras drogas e quase fica num caminho sem volta.

Não é difícil encontrar reportagens, imagens dela drogada, perdida no olhar, na vida, no mundo, destruída e quase derrotada. Mas no ano passado, ela ressurgiu como uma Fênix da mitologia grega e  voltou a gravar.

Queira Deus que ela esteja realmente recuperada. A voz ainda não chegou ao seu apogeu. Nem sei se ela cantará como antes,  mas o fato de vê-la novamente cantando, gravando novamente, me faz ter um fio de esperança de que ela sairá integralmente desse mundo maldito do vício das drogas.

Mas o que pensar dos não tão afortunados? Penso que se não houver ajuda mútua entre os poderes público e civil, perderemos essa batalha silenciosa, porém avassaladora.

Um bom exemplo que me enche de esperança é o trabalho desenvolvido pelo Projeto Uerê o qual tomei conhecimento na tal entrevista pelo rádio. Aliás, vale a pena fazer uma visita ao site deles. Os integrantes do projeto parecem fazer um lindo trabalho porque  proporcionam a muitas crianças um meio de conquistarem seus sonhos e ideais. Estas informações eu copiei do site deles:

“A comunidade da Baixa do Sapateiro é uma das comunidades do Complexo da Maré. Nela habitam famílias de baixa renda. O Complexo da Maré é constituído de 16 comunidades e abriga uma população de cerca de 110.000 pessoas. A comunidade vive sob tensão constante com as guerras das facções do tráfico de drogas e conflitos com a policia. Na Baixa do Sapateiro a população é de cerca de 8.000 pessoas com 1600 crianças de 3 a 16 anos. O Projeto Uerê atende uma parte consistente delas de 4 a 18 anos”.

A missão:

Trabalhamos diariamente para:

  • Inclusão social
  • Aumentar o nível de escolaridade com ênfase na futura vida de trabalho
  • Estimular a confiança e a auto estima
  • Ajudá-los a compreender a injustiça social de que são vítimas
  • Orientá-los a se tornarem cidadãos responsáveis
  • Preparamos nossos jovens para competir num mercado de trabalho cada vez mais difícil

(Extraído do site do Projeto Uerê)

Gente, acho que esse é o caminho. Veja só a equipe de gente que faz a diferença neste link aqui. Tenho em especial admiração por essa artista plástica, Yvonne Bezerra de Mello. Ela era uma espécie de Anjo da guarda daqueles meninos que foram vítimas do Massacre da Candelária, lembram dessa tragédia?

Dados estatísticos para mim são como enigmas indecifráveis, pois ao mesmo tempo que me canso de ler notícias tristes assim e que são um sinal de ‘fundo do poço’ da sociedade brasileira, leio ‘números’ que exaltam a melhoria  da qualidade de vida do brasileiro. Os dados não correspondem à realidade…

200px-Fenix_azulOuçam a bela música da Whitney Houston – I look to you – a letra parece relatar essa trajetória pela qual ela passou.

Espero tomar conhecimento de outras fênixes como ela, renascendo por esse lindo Brasil.

Imagens extraídas do google.

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Tags: , , , , , , Esse texto foi postado em sábado, 20 de março de 2010 às 18:54 nas categorias Abandono, Brasil, Comportamento. Você pode seguir as respostas pelo RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou trackback do teu próprio site.

4 Comentários para “A maldição do crack”

  1. georgia aegerter escreveu:

    Sonia, esse seu texto é um grito de alerta. Lidamos com as pessoas e sequer sabemos se elas usam drogas ou nao. Elas estao nas nossas casas como nossas empregadas e estamos deixando nossos filhos nas maos delas. Eles sao também professores dos nossos filhos e quer maior exemplo do que esse? Se meu professor fez ele deve saber o que faz pois é meu professor. Eu acredito que a maior informacao tem que vir de casa. Já comecei a explicar ao Daniel que esxite dois tipos de cigarro. O cigarro nicotina e o outro cigarro que nao é cigarro mas que tem uma família enorme de conseqüências. É cedo? Ele só tem 10 anos? Sim, pode ser até cedo, mas é melhor mostrar cedo os estragos do que comecar tarde.

    Eu morro de medo de ir ao Brasil, exatamente por isso e porque muitos brasileiros andam armados pelas ruas das nossas cidades.
    Admiro vc ter tido a coragem que teve que ir viver no Brasil com sua família e u morri de medo e optei por viver aqui. Nao é que aqui nao exista, sim, existe, mas um número ainda pequeno.

    Um grande beijo e uma linda semana prá você.

    Parabéns pelo post.

  2. Sonia H. escreveu:

    Querida Georgia,

    A situação está realmente preocupante. Mas sempre repito: acredito muito na educação que nós damos aos nossos filhos. Eu acredito. Porém, penso nos outros que não têm a mesma sorte e me assusta ver tantos jovens e crianças entregues a um destino macabro desses – Algo precisa ser feito com urgência.
    Entendo o teu medo de vir ao Brasil principalmente porque quando moramos no exterior, parece que o que é ruim, tendemos a ver tudo sob uma ótica ainda mais apavorante. Os jornais geralmente mostram as desgraças e as mazelas do país. Era assim na Holanda e deve ser assim na Alemanha, não sei. Mas sinceramente, você não pode se privar de visitar a sua terra tão amada ( sim, apesar de todas essas mazelas que conhecemos e repudiamos!), por que tudo o que você conhece, ou vamos dizer, 80% é fruto de suas vivências no Brasil, da educação de seus pais, da convivência com sua irmã, na escola, no trabalho, com os amigos).
    Eu adoraria tirar essa palavra ‘medo’ do meu vocabulário. Não consegui ainda. Mas eu te digo de coração: não deixe de vir ao Brasil por conta do medo. Não podemos ser refém do medo, entende?
    Temos de tomar os cuidados necessários afinal, somos cariocas e já conhecemos como tudo funciona aqui.
    Uma linda semana para você também.
    Beijos,

  3. georgia aegerter escreveu:

    Você tem toda a razao, Sonia. O medo deixa a gente paralizada.

    Obrigada.

    Um beijao

  4. Que triste… | O Cantinho da Borboleta Azul escreveu:

    [...] A maldição do crack [...]

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