Feijoada: vejam se concordam com a tese sobre sua origem…

Pesquisador conta como a feijoada surgiu na mesa de famílias cariocas

Jornal do Brasil

RIO – A feijoada não surgiu nas senzalas, como invenção dos escravos, que juntariam sobras de carnes não aproveitadas pelos “senhores” para preparar um prato mais encorpada. Tampouco começou a ser preparada por famílias de poucas posses que requentariam sobras de refeições anteriores para reforçar a alimentação. Ela foi criada para servir como comida para as elites do século 19, especialmente nas famílias cariocas mais ricas. Esta é a tese de um estudo feito pelo pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF), Almir Chaiban El-Kareh sobre o prato que melhor simboliza a culinária nacional.

– Minha teoria é que a feijoada, como a conhecemos, surgiu nas famílias ricas, porque os miúdos eram valorizados pelas elites. Os ricos comiam refeições com feijão incrementado com diversas carnes e miúdos. Os pobres comiam feijão ralo, com pequenos pedaços de carne-seca ou toicinho – afirma Almir.

Almir baseou sua pesquisa em relatos de viajantes estrangeiros que visitaram o Brasil, em especial o Rio de Janeiro, ao longo do século 19. Um destes viajantes foi o pintor francês Jean-Baptiste Debret.

– Segundo Debret, os escravos comiam a mesma comida que os patrões. Alguns chegavam a comer juntos no mesmo recinto. Os patrões sentados à mesa e os escravos em esteiras no chão. Isso reforça minha tese de que os escravos não preparavam a própria comida – comenta o pesquisador.

Mas antes de cair no gosto das famílias ricas e se tornar o ingrediente principal da feijoadas, o feijão encontrava muita resistência entre as famílias mais ricas do Rio de Janeiro. Pouco depois da transferência da família real e de sua Corte para o Brasil, em 1808, os feijões ainda eram classificados como “comida de pobre”.

Debret

Almir diz que esta informação foi tirada dos relatos de Debret. Segundo o pintor francês, que chegou ao Brasil em 1816, as famílias ricas tinham como prato mais tradicional o cozido português, acompanhado de galinha, arroz e farinha de mandioca.

– O feijão ainda não aparecia na mesa das elites naquele momento – diz Almir, acrescentado que seu consumo era velado. – Debret escreveu que, na época, os pequenos comerciantes comiam feijão com um pedaço de carne-seca e farinha, regado com muita pimenta, mas escondidos de todos, no fundo das lojas.

No entanto, segundo o pesquisador, já por volta de 1830, todos os viajantes que escreveram relatos sobre o Brasil, atestaram que ricos e pobres comiam feijão, carne seca e toicinho todos os dias. Essa aceitação gradual do consumo de feijão pelas elites acabou por sobressair à incorporação dos hábitos europeus e transformou o cozido português numa segunda opção .

O interessante é que a invenção da feijoada e sua incorporação aos hábitos alimentares da população se deu em paralelo à permanência da família real portuguesa no Brasil, nas primeiras duas décadas do século 19.

A etiqueta à mesa foi uma das influências da estada da família real no Rio de Janeiro. As poucos, a sociedade carioca assimilou a etiqueta e as boas maneiras europeias, usando talheres. Porém, só mudou a forma de comer e não o conteúdo – a própria comida. No caso, a feijoada, que foi ganhando cada vez mais espaço na mesa do carioca e do brasileiro.

– A alimentação é o ponto de maiores resistências à mudança porque é um hábito adquirido na infância. A elite mudou de roupa, copiando a moda francesa, mas não mudou de gosto alimentar. Essa foi a vitória da feijoada.

Da Redação, com Agência Faperj

Se quiser ler a sugestão do pesquisador de como ficar acordado após o banquete, continue lendo aqui.

Eu só sei que feijoada é um prato muito delicioso, não acham? Nunca esquecerei uma amiga americana que fez intercâmbio cultural em minha casa na época que ainda era solteira… Quando ela viu aquela comida no prato, disse-me sem titubear: “essa comida parece suja...” Eu achei engraçado, mas depois pensei que para quem não está acostumado a comer o feijão preto como nós cariocas comemos todos os dias, deve ser algo exótico demais para um estrangeiro….

Vocês gostam de feijoada?

Imagem extraída daqui.

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Esse texto foi postado em sábado, 21 de novembro de 2009 às 01:22 nas categorias Carioca, Comida, Feijoada, Gastronomia, História. Você pode seguir as respostas pelo RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou trackback do teu próprio site.

9 Comentários para “Feijoada: vejam se concordam com a tese sobre sua origem…”

  1. Elvira escreveu:

    Ai Sonia.

    Já me deu agua na boca. Eu adoroqualquer tipo de feijão.

    Bjs.
    Elvira

  2. Luma Rosa escreveu:

    Sônia, eu faço a versão light, até porque quando dou de cara com uma versão completa, dispenso rabinhos, pézinhos, fucinhos… mas sei que estes ingredientes é que dão sabor ao prato. Adoto também a medida de fazer um dia antes e coloco a laranja inteira, para que a parte gordurosa suba e seja retirada.
    Não é um prato para se comer todo dia, mas é bem saboroso! Não posso afirmar quem comeu primeiro, só afirmo que quem come gosta! Bom fim de semana! Beijus,

  3. Sonia H. escreveu:

    Luma,
    Eu também prefiro a versão light – pois sinceramente, quando penso nos rabinhos, etc…. tenho vontade de me tornar vegetariana mesmo. :-) Infelizmente não consegui ainda…
    E vamos combinar… o feijão com a carne seca já fica muito gostoso!
    Beijos,

  4. Georgia escreveu:

    Sonia, independente de onde tenha vindo realmente a feijoada, só sei que é um prato maravilhoso.

    Eu tb faco a versao light, até porque por aqui achar tudo isso é difícil e pra ser sincera é bom, porque ô pratinho calórico.

    Eu gosto tb de fazê-la com feijao carioca, gosto da cor meio avermelhada.

    Bom domingo querida e levei essa feijoada pra Saia.

    Bjao

  5. Chica escreveu:

    ADORO FEIJOADA, MAS NÃO A COMO MUITO! e DE QUALQUER JEITO, MAS DE PREFERÊNCIA A TRADICIONAL…BEIJOS E VIM CONHECER TEU BLOG E GOSTEI.CHICA

  6. Beth/Lilás escreveu:

    Sonia,
    Estou contigo e com a Luma, também prefiro sem rabinhos e orelhas, mas que é gostoso é mesmo!
    Já vi estrangeiro olhar para o prato e achar horrível o aspecto dos miúdos boiando no meio do caldo escuro, mas já vi também gente que comeu e adorou, repetiu e não esqueceu.
    No entanto, como em pouquíssimas ocasiões, pois feijão não me faz muito bem ao estômago.
    bjs cariocas

  7. Coisas de Ta escreveu:

    Eu amo feijoada, só de pensar me da agua na boca!!!

    Oh deliciaaa! rs

    Bjus da Ta

  8. Bete escreveu:

    É de dá agua na boca. hum!!!!
    Bjs querida e obrigada pelo carinho

  9. Blog do Beagle escreveu:

    Sim, eu gosto de feijoada, eventualmente. Gosto com muta couve e laranja. Farinha torrada na manteiga e crnes magras. Nada de pés, orelhas e rabinhos kakakakaka Essa não é a primeira vez que ouço falar que a feijoada não foi criada pelos escrevos. Tem alguma coisa a respeito no livro 1808 que eu não consigo acabar de ler… BJ. Elza

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