O meu balanço da Bienal do Livro

Ontem foi o último dia da Bienal do livro aqui no Rio de Janeiro. Para ser sincera, nos últimos tempos, tenho preferido comprar livros pela internet por duas razões: comodidade e preço. As promoções são muitas vezes mais atraentes do que nas livrarias reais. Por outro lado, acho maravilhoso andar por livrarias, descobrir autores novos, pegar o livro, folheá-lo, degustando um café ou chá bem quentinho…
Ah…como valorizo estes pequenos-grandes prazeres…. Infelizmente esse momento íntimo com o livro, a internet não nos pode propiciar.
Já na bienal, temos a oportunidade de visitar várias editoras reunidas em um só lugar e descobrir o que há de novo, os lançamentos e relançamentos. Aliado a tudo isso, atualmente, os organizadores idealizaram pontos de encontros específicos para cada ‘tribo’. Infelizmente não tive a oportunidade de visitar o Café Literário, por exemplo, já que a concorrência foi acirrada e precisa-se de senha para participar. Além de palestras e debates sobre assuntos diversos, existem os cantinhos da leitura, a hora do conto. A parte dedicada às crianças foi uma grande revelação – O Instituto Pro-Livro criou a Floresta de Livros. Nesta floresta ‘mágica’, as árvores contavam histórias e as crianças com o toque das mãos, mudavam as páginas dos livros – foi um espaço concorrido mesmo. Marcela adorou. Também nesse espaço, teve peça de teatro, como essa das fotos que tinha como mensagem: a leitura nos faz viajar sem sair do lugar. Foi uma bela apresentação! Depois ao passarmos por um estande da editora do Ziraldo, havia uma fila quilométrica de fãs aguardando um autógrafo. Não, eu não tenho paciência. E mais…. o livro era sobre o meu time rival…. (risos).
Gosto muito do Ziraldo e Samuel e Marcela idem. E já entrei numa fila dessas para pegar um autógrafo do Ziraldo com Samuel. Ele nem devia ter 9 anos e ficou tão radiante de felicidade…
Mas nesta edição da Bienal Internacional do Livro, aprendi uma lição importante: nunca mais irei no último dia. Não vale a pena – são pessoas se esbarrando e mal dava para chegar até os livros. Filas e mais filas para ver os livros, pagá-los… Isso para mim é pesadelo. Eu fui duas vezes: na sexta, fui sozinha. Foi mais tranqüilo, pois tive a chance de caminhar mais livremente por entre os corredores e como disse, folhear os livros, encontrar as promoções. Se não tivesse ido na sexta, teria ficado frustrada…
Nem tudo são flores. A praça da alimentação só vendia ‘junk food’. Senti falta da comidinha brasileira – tudo muito caro e comida lixo, sabe. Também vi adolescentes histéricas com a chegada do Dado Dolabela…. Pensei… “ninguém merece!”. E a literatura, hein??? Pois é…… como disse, nem tudo é perfeito e há muito de show business também. Celebridades, etc..
Li um artigo escrito por uma professora no Jornal O Globo que reflete essa parte não tão bela da Bienal. Se quiser ler todo o artigo, clique aqui:

‘A imperdível, porém contraditória, Bienal do Livro’

Publicada em 21/09/2009 às 13h24m

Artigo da leitora Ana Lúcia da Costa Silveira

(….)
Vista como evento cultural de mobilização nacional, a Bienal tem superado, a cada ano, as expectativas de público visitante, consagrando-se como uma das mais bem sucedidas realizações culturais e empresariais do Brasil. O encerramento de suas atividades no último dia 20 de setembro provavelmente deixou satisfeitos todos os envolvidos na realização do mega-evento bibliófilo, desde editoras que ganharam curvas ascendentes em seus gráficos contábeis a escritores que lançaram seus novos livros, passando por famosos declamadores de textos literários que receberam uma notoriedade mais chique do que a de ser notícia em revistas de celebridades e afins.
(….)

Eventos do porte da Bienal do Livro, de fato, contribuem positivamente para o incentivo à leitura. No entanto, duas perguntas instigam o aprofundamento destas reflexões: até que ponto? Em que contexto?

Neste mês de setembro, observaram-se, na mesma mídia que divulgou a Bienal, notícias dos mais variados tipos que, indiretamente, esmaeceram o contexto positivo propagado por este evento na educação brasileira. Divulgaram pesquisas que traziam críticas aos altos preços dos livros no Brasil, informando ainda que 47% dos cariocas não têm o hábito de ler. Descreveram a batalha travada em frente à Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, onde professores estaduais (muitos provavelmente levaram seus alunos à Bienal ou os incentivaram a ir por conta própria) foram agredidos por policiais porque pleiteavam um salário inicial de R$ 1 mil em 2015 (até lá viveremos mais duas Bienais). E, para culminar, saíram os resultados da Pnad 2008, mostrando que o Brasil, além de não ter avançado no combate ao analfabetismo, possui ainda 30 milhões de analfabetos funcionais.

(…..)

Além de palestras e entrevistas com os escritores “da moda”, como aquela que escreve livros sobre princesas pós-modernas ou aquela outra que retrata uma adolescente falando sério, em frases curtas e repletas de gírias, com todos a seu redor, a organização da Bienal poderia incluir na programação as mesmas palestras e entrevistas, só que ministradas por professores ou pessoas reconhecidas nos meios literários, que poderiam discorrer sobre escritores clássicos da Literatura Brasileira, esquecidos ou literalmente desconhecidos nos bancos escolares. Imaginem uma palestra sobre a carga metafórica do soldado amarelo em “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos? Ou uma leitura comparada entre os sonetos satíricos do poeta barroco Gregório de Matos e o atual noticiário político brasileirol?

(….)

Extraído do Globo online:

http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2009/09/21/imperdivel-porem-contraditoria-bienal-do-livro-767705352.asp

Vale acrescentar que algo muito legal aconteceu nessa bienal. A Estante Virtual, um portal de sebos online, inovou esse ano e proporcionou a troca de livros – Troca, as pessoas não tinham de pagar, somente levar os livros em boas condições para trocar com outros que estavam lá na estante. Foi um sucesso total e como eu não gosto de filas que fazem curvas… não participei, mas acho a iniciativa fantástica. Para quem não conhece a Estante Virtual, dê uma passada no site. Já comprei livros excelentes através deles.

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Esse texto foi postado em segunda-feira, 21 de setembro de 2009 às 19:26 nas categorias Bienal do Livro, Leitura, Literatura, Livros. Você pode seguir as respostas pelo RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou trackback do teu próprio site.

2 Comentários para “O meu balanço da Bienal do Livro”

  1. Georgia escreveu:

    Sonia, que linda essa Bienal;

    Imagino que teus filhos aproveitaram muita coisa; quantas aventuras.

    Gostei muito do post.

    Valeu.

    Teria sido interessante levar a sua classe…

    É verdade, esse momento é mágico, é encantador que a net o mundo virtual nao pode dar.

    Um beijo

  2. Beth/Lilás escreveu:

    Pois é, Soninha, o mundo tá assim, meio plastificado, tudo muito bonito visualmente, mas conteúdo muito pouco.
    Eu também fico com vontade de ir, mas já começa com a lonjura do evento, depois a super população que também não me apetece e agora, como vc mesma disse, as pseudos estrelas do mundo televisivo aproveitando o evento para se promoverem. Aliás, isso devia ser proibido, onde já se viu esse Dolabella tem o que para mostrar cultura?!
    Em contrapartida, a carinha dos seus filhotes é que dá o tom de satisfação e alegria em poder estar juntos num evento desse porte.
    super beijos cariocas

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