BOGLAGEM COLETIVA E DIA DO LIVRO


Hoje é o dia do livro e nada mais especial do que falarmos sobre o ato de aprender a ler e escrever neste dia 18 de abril.
O motivo da blogagem idealizada por Georgia do Saia Justa e Meire do Pensieri e Parole vai além da reflexão sobre o analfabetismo no Brasil: como cidadãos preocupados com o desenvolvimento humano deste imenso país, nós queremos encontrar soluções para esta grave doença social. Então, a pergunta-chave é:

O que nós podemos fazer para acabar com o analfabetismo no Brasil?

Pois bem. Este é um desafio e tanto, mas será que se cada um contribuísse de alguma forma, não conseguiríamos erradicar com o analfabetismo no Brasil?

Este ano minha filha menor (6 anos) encontra-se em processo de alfabetização. E cada dia para ela é uma nova descoberta quando se vê ‘lendo’. Ela ri de si mesma diante da descoberta de cada palavra nova. E eu me deleito com a aprendizagem dela. Acho que para ela é como se estivesse entrando num portal mágico, onde tudo é possível, e ler o mundo que a cerca é a poção mágica do momento. O processo de letramento de Marcela contagia a todos a seu redor… é maravilhoso ver alguém aprendendo a ler e a escrever.

Agora, imaginem um adolescente e/ou um adulto que ainda não lê e não é capaz de conhecer este mundo através das letras? Uma pessoa que não consegue ler um endereço? Uma receita médica? Uma obra de ficção? Ou o jornal diário? Imagino a frustração e tristeza que deve ser. Um dia desses, vi na tv uma reportagem sobre uma idéia empreendedora de alfabetização em empresas. O programa alfabetiza os funcionários adultos após o expediente. E todos os aprendizes são muito motivados pois desejam virar esta página em branco de suas vidas. Uma das pessoas entrevistadas disse que não saber ler era como se não enxergasse ….

O analfabetismo não só compromete o desenvolvimento humano e a qualidade de vida das pessoas. Também compromete a economia do Brasil. Por outro lado, creio que nenhum país é capaz de vencer sozinho este desafio. Nossa sociedade precisa criar um pacto em prol da educação, a começar por suas ‘veias mais abertas’: o analfabetismo puro que é tido como aquele em que as pessoas não sabem nem ler nem escrever e talvez nunca freqüentaram uma escola. Existe também o analfabetismo funcional, representado por aquelas milhares de pessoas que abandonam a escola sem ter aprendido o mínimo necessário para enfrentar os desafios da vida. Infelizmente, os dois tipos de analfabetismo encontram-se muito presentes pelo Brasil afora. E por último, o analfabetismo digital, já que não se pode negar a revolução causada pela internet e pelo uso do computador em nosso dia-a-dia. E cada um deve ser atacado com políticas públicas e com a mobilização da sociedade civil.

Entretanto, se traçarmos prioridades, creio que deveríamos atacar o problema por sua raiz mais profunda, isto é, pelo analfabetismo puro, já que é a forma mais crucial de exclusão social. Segundo o Ministério da Educação, o analfabetismo no Brasil deverá ser erradicado até 2010. Apesar dos programas federais direcionados a este fim, creio que se não houver uma participação maior da sociedade, esta meta não será atingida.

E é justamente por isso que podemos e devemos fazer a nossa parte. Penso que o trabalho voluntário pode ser um caminho. Existem diversas organizações que recrutam pessoas para doarem algumas horas de seu tempo em prol do outro. Foi o que eu fiz. Eu me cadastrei no Portal Seja um Voluntário. Existem outras organizações que encontram-se espalhadas pelo Brasil a procura de algum voluntário. O Portal do Voluntário é outro site bastante abrangente sobre voluntariado.
Outras boas práticas neste processo de luta pelo fim do analfabetismo é propagar o gosto pela leitura e a valorização do livro como um bem maravilhoso. Sei que isto é algo complexo, mas o livro precisa se tornar objeto de desejo dos cidadãos brasileiros. Lobato disse muito sabiamente: “um país se faz com homens e livros”. A criança precisa ter livros desde cedo. Meu filho mais velho ama ler. Ele sempre teve contato com os livros. Primeiro eram os livros de plástico, muitas gravuras. Depois vieram os primeiros textos e nós os líamos para ele. Depois da alfabetização, ele passou a devorar todos os livros que ganhava. E hoje é um leitor fluente e apaixonado. Sei que ele é privilegiado assim como muitos que lêem este blog. Mas todos têm este direito. Taí um maravilhoso prêmio para aqueles que nós ajudarmos a ler e a escrever um dia: ganhar livros de presente!

Um exemplo positivo de sucesso é a cidade de Niterói no estado do Rio de Janeiro. Em 2007, Niterói foi premiada pelo governo federal como ‘ cidade livre do analfabetismo’:

“A premiação foi concedida como reconhecimento ao esforço da rede municipal para erradicar com o analfabetismo. Dados das Organizações das Nações Unidas (ONU) revelaram que Niterói apresenta a maior taxa de alfabetização do Estado do Rio de Janeiro e uma das maiores do país: 96,45% da população acima de 15 anos de idade sabem ler e escrever. Foi constatado que a taxa de evasão escolar no município é uma das mais baixas registradas neste século (1,66%) e a mais alta média de anos de estudo do país (9,5 anos)”.

O nosso desafio portanto é alcançar este patamar de alfabetização no país inteiro.
Este post faz parte da blogagem coletiva que pode ser acompanhada por aqui ou aqui.

“o sonho pelo qual brigo
exige que eu invente em mim
a coragem de lutar
ao lado
da coragem de amar.”
Paulo Freire

Fotos do Google Imagens
Niterói notícias online

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Esse texto foi postado em sexta-feira, 18 de abril de 2008 às 01:20 nas categorias Blogagem Coletiva, Contra o analfabetismo, Livro. Você pode seguir as respostas pelo RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou trackback do teu próprio site.

8 Comentários para “BOGLAGEM COLETIVA E DIA DO LIVRO”

  1. Georgia escreveu:

    Sonia, essa frase do Paulo Freire terminando esse seu post me levou a ficar com os olhos cheios d’água.
    Quando vi a foto no seu post, essa senhora de idade com um lapis na mao e um livro de exercício, olha Sonia, devo confessar que fiquei feliz por ela estar ali aprendendo e triste porque a vida nao lhe trouxe mais cedo essa chance.

    Sonia, texto excelente. Enriquecedor com esses links.
    É lindo mesmo ver o filho da gente gaguejar as primeiras sílabas e o desejo de ler tudo que vai encontrando pela frente.

    Querida, muito obrigada por suas palavras de concientizacao e por sua participacao.

    Grande beijo

  2. RAMOSFOREST.ENVIRONMENT escreveu:

    O analfabetismo está comprometido com a corrupção e o populismo.

  3. Fábio Mayer escreveu:

    A minha sugestão é que haja uma fiscalização muito mais pesada sobre os recursos da educação, principalmente os do FUNDEC, Fundo Nacional da Educação, que é dinheiro da União repassado para os municípios, mas malversado por vereadores e prefeitos corruptos, que,por exemplo, alugam ônibus velhos caindo aos pedaços por preço de Ferraris F-40, dizendo serem usados para o transporte escolar, quando em verdade, são usados como forma de “tirar algum” para os safados.

    Mas é bem dito que também é necessária a iniciativa individual, a vontade das pessoas em solucionar o problema, porque essa solução aproveita a todos na forma de desenvolvimento.

  4. Lola escreveu:

    Sonia,
    Passando pelo Saia Justa, encontrei o seu blog e fiquei muito emocionada com o seu texto.
    Vou visitar o Portal do Voluntario e comentar no meu Blog depois.
    Beijos

  5. Lulu on the Sky® escreveu:

    Sonia,
    Vim conhecer seu blog através da blogagem coletiva da Georgia, ao qual tb participo.
    Bacana seu post e achei importante ressaltar o Portal do Voluntário nunca é tarde pra ajudar.
    Big Beijos

  6. Andréa Motta escreveu:

    Sonia, que belo post você escreveu! Parabéns!

  7. Meire escreveu:

    Aulas de reforço, aumentar carga horaria, melhorar as merendas, melhor treinamento dos professores…
    Tantas coisas que podem ser feitas..
    Obrigada pela participaçao
    Meire

  8. Alessandra escreveu:

    Olá Sonia

    Eu ia postar na sexta-feira, mas o meu monitor (novo aliás), está com uns pixels queimados e aí tive que levar para o conserto, pois não dava para escrever.

    Só arrumei outro monitor hoje.

    Que lindo post, realmente também fiquei com os olhos cheios de água com a frase do Paulo Freire, como a Georgia diss elá em cima.

    Sabe, eu me lembrei do papel que o ator Matheus Nachtergaele quando ele fez o papel do Carreirinha e não sabia ler e nem escrever e no último capítulo, ele assina o nome dele no próprio casamento.

    Ele chorava tanto por ter aprendido a ler e escrever, foi muito bonita essa cena.

    Beijos

    Alê

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