DIA MUNDIAL DA ÁGUA

Hoje está acontecendo uma blogagem coletiva organizada pelo blog Faça a sua parte pelo dia mundial da água. Apesar de não estar inscrita na blogagem, acho importantíssimo refletirmos sobre esta questão. Precisamos nos conscientizar da importância de economizar água e termos consciência de que este nosso bem tão supremo está acabando. Se não mudarmos de postura, nossos filhos, nossos netos, bisnetos, a humanidade sofrerá muito mais do que já se sofre hoje. Ou não mais existirá.
Eu tenho feito a minha parte aqui em casa. Não desperdiço água e ensino meus filhos a não desperdiçá-la também. São nas tarefas de casa que economizamos. Na cozinha e no banheiro principalmente.
Nesta questão de saber dar valor à água, nunca esqueci-me de algo que vivenciei no sertão da Paraíba quando era criança. Quase sempre, íamos à Paraíba nas férias de verão e meu pai e toda a família visitávamos e passeávamos por todo o estado, inclusive pelo sertão. Eu sempre fiquei impressionada com a falta d’água naquele lugar. Animais mortos, alguns tão magros… Um dia, visitando a casa de uns conhecidos de meu pai, eu pedi um copo d’água à dona da casa e para a minha surpresa de pre-adolescente carioca, a água tinha uma coloração estranha e o gosto era muito ruim. Meio sem jeito, eu bebi a água pois era sede o que eu tinha. E esta era a água que eles tinham para beber, eu pensei. Verdade é que o Brasil não mudou muito neste sentido, pois a água nunca ficou tão escassa como nos dias de hoje.
No Rio de Janeiro, por exemplo, que é chamada de
‘cidade grande’, falta água em pleno século 21. Existe aquele velho ditado: “poucos com muito e muitos com pouco”, ou eu diria, muitos não têm água mesmo. Falta sanemento básico em várias partes do estado. E Isso é vergonhoso. O que fazer para mudar?
O dinheiro de nossos impostos não está conseguindo chegar onde deveria. AINDA. Os políticos não deixam. Gente, quanta corrupção!! Acho que o Brasil será um país digno para todos os seus habitantes o dia em que os recursos realmente chegarem aos lugares certos.

Reportagens de hoje, no Jornal O Dia, RJ.

Água: o bem mais precioso

No Dia Mundial da Água, não há muito o que comemorar. Com a escassez desse recurso natural, a humanidade também está por um triz.

Diogo Dantas e Gislandia Governo

Rio – Planeta Terra, 2050. Neste ano, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), 4 bilhões de pessoas sofrerão com a falta de água, e dois terços da população poderá enfrentar a escassez total. Mudanças climáticas, poluição, falta de investimento em recursos hídricos e desperdício são alguns dos fatores que ameaçam a sobrevivência da humanidade. Diante desse quadro alarmante, o desafio será: como preservar esse bem tão precioso?

No último século, o consumo de água no Brasil tem crescido a um ritmo mais de doze vezes superior ao da população mundial, segundo a agência da ONU para agricultura e alimentação (FAO). Maior detentor de água do mundo, o País tem cerca de 15% de todo o estoque do planeta.

Entretanto, várias regiões já enfrentam problemas de abastecimento, principalmente os estados da região Norte e Nordeste. Mas nada se compara aos niveis críticos de recursos hídricos em países como África do Sul, Egito, Índia, Iraque, Israel, Jordânia, Líbano, Haiti, Turquia e Paquistão.

No ano de 2008, o Dia Mundial da Água dá atenção especial ao saneamento. A Organização Mundial de Saúde (OMS) antecipou na última quinta-feira parte de relatório que será divulgado no final do ano, no qual mostra que 2.6 bilhões de pessoas vivem sem acesso a um banheiro em suas casas e são vulneráveis a doenças causadas pelo mau tratamento da água. Só a diarréia mata dois milhões por ano, a maioria crianças até cinco anos.

No Brasil, de acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), somente 20% dos municípios fazem coleta de esgoto e o índice de tratamento gira em torno de 20% com eficiência discutível. Isso significa que todos os dejetos domésticos não tratados, ou com baixo índice de descontaminação, vão parar nos rios, córregos e outros mananciais de onde é retirada a água que abastece a população.

“A distribuição de água doce e tratada no mundo não é eficiente. Fora que, há muito desperdício, crescimento desordenado, desmatamento. Aqui no Brasil, por exemplo, infelizmente nos tornamos especialistas em transformar água em esgoto”, observa o biólogo Mário Moscatelli.

Para o engenheiro Paulo Costa, especialista em uso racional da água, o grande problema não é o saneamento. “Para cada 100 mihões de dólares investidos em saneamento básico, se economiza 300 milhões na saúde. Isso está sendo feito tardiamente. Principalmente, nas camadas mais pobres. O grande problema é a falta de um programa nacional de racionalização de consumo de água, que já foi instituido em outros países e nunca é aplicado aqui”, diz.

Na opinião do secretário estadual do Meio Ambiente, Carlos Minc, conscientização da população é fundamental. “Não dá para fazer dos rios, lagoas e mares depósitos de lixo, jogando garrafas pet, pneus, sacos plásticos, materiais que demoram anos para se decompor, causando a mortandade de peixes. Somente no Rio de Janeiro, são centenas de toneladas jogadas diariamente, o que torna a qualidade de nossas águas muito ruim e um foco de contaminação de doenças. É preciso entender que água é vida. É um bem insubstituível”, declara.

O biólogo Mário Moscatelli faz coro. “Não podemos ficar parados diante dessa situação. Temos que ir à guerra. Mas é uma guerra pelo futuro dos nossos filhos, de outras gerações, através de um consumo consciente. Temos que tomar conta do planeta, que é nosso único lugar para morar. Estamos num trem bala desgovernado e ainda não demos conta”.

Populações mais pobres serão as maiores vítimas

A escassez de água provocada pelo aquecimento global vai afetar os cultivos agrícolas e a segurança alimentar das populações mais pobres do mundo a partir de 2020. A previsão consta da segunda parte do relatório Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) das Nações Unidas (ONU), divulgado em 2007 e amplamente debatido. Segundo os cientistas, as populações mais pobres do mundo serão as mais afetadas pelo aquecimento global.

De acordo com o estudo, a África está entre os continentes mais vulneráveis do mundo. Segundo as previsões dos cientistas, haverá falta de água nessa região, o que vai afetar entre 75 e 250 milhões de pessoas. Na Ásia, que também será atingida pela escassez de água, esse número sobe para 1 bilhão. A diminuição dos recursos hídricos também deve provocar problemas de irrigação nas lavouras e, conseqüentemente, redução na produção de alimentos.

Ainda segundo o relatório, o derretimento das geleiras de montanhas como o Himalaia vai provocar o aumento de inundações e enchentes, provocando grande número de mortes por doenças, como a cólera, em vários países da Ásia.

22/3/2008 12:17:00

Apenas 25% do esgoto coletado no país é tratado

Brasília – Os números do saneamento básico mostram que o Brasil ainda tem muito a avançar na data em que a Organização das Nações Unidas (ONU) comemora o Dia Mundial da Água. O índice médio de coleta de esgotos no país é de 69,7%, sendo que o tratamento atinge apenas 25%. Os números são do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, do Ministério das Cidades.

A ONU elegeu 2008 como o Ano do Saneamento e deve recomendar aos países a formulação de políticas públicas para universalizar o acesso a esse serviço. “No mundo todo, 2,6 bilhões de pessoas não têm acesso a saneamento e estão expostas diariamente a doenças, como diarréia e cólera”, aponta o representante da ONU para Alimentação e Agricultura (FAO), José Turbino.

Os números de coleta e tratamento de esgotos no Brasil refletem diferenças regionais históricas do país: no Sudeste, o índice de coleta é de 91,4%, já na região Norte, não chega a 9% das habitações. “Temos uma distribuição desigual do desenvolvimento e, evidentemente, a conseqüência disso é que as políticas públicas muitas vezes também acompanham esse desnível. [A diferença] é decorrência da falta de políticas de saneamento no âmbito nacional em sucessivos governos”, avalia secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do MMA, Luciano Zica.

Entre as capitais, as diferenças chegam a mais de 90%. Enquanto em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre a coleta de esgoto atinge quase toda a população (com índices superiores a 85%), em Porto Velho, apenas 2,2% têm saneamento básico. Os dados fazem parte de um relatório do Instituto Sócio-Ambiental (ISA), que traça um panorama do alcance de sistemas de saneamento no país.

“Um dos principais desafios do Brasil é a coleta e tratamento de esgoto, em especial nas áreas mais urbanizadas. Tivemos um período muito grande de descaso, há um déficit a ser cumprido. Temos que parar de transformar o Brasil, que é o país dos rios, no país dos esgotos”, alerta uma das coordenadoras do ISA Marussia Whately.

Além de investimentos em programas de saneamento, Whately também aponta a necessidade de políticas específicas para tratamento de resíduos sólidos, avaliação compartilhada pelo representante do MMA. “A questão do ambiente urbano e dos resíduos sólidos foram agregadas ao debate dos recursos hídricos, que até bem pouco tempo eram políticas bem desfocadas. Teremos condições de trabalhar de forma harmônica segmentos que têm impactos diretos na qualidade da água; não há como dissociar a questão do lixo da boa gestão da água”, avalia Zica.

O Ministério das Cidades prevê a aplicação de R$ 40 bilhões até 2010, no chamado PAC do Saneamento, em referência ao Programa de Aceleração do Crescimento. A previsão de investimentos precisa ser cumprida para que o país alcance a meta estabelecida pela ONU nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.


(Fonte: http://odia.terra.com.br)


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Esse texto foi postado em sábado, 22 de março de 2008 às 20:44 nas categorias Dia mundial da água, campanha, meio ambiente, saneamento. Você pode seguir as respostas pelo RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou trackback do teu próprio site.

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