Genealogia


“Se o mundo do futuro se abre para a imaginação, mas não nos pertence mais, o mundo do passado é aquele no qual, recorrendo a nossas lembranças, podemos buscar refúgio dentro de nós mesmos, debruçar-nos sobre nós mesmos e nele reconstruir nossa identidade; um mundo que se formou e se revelou na série ininterrupta de nossos atos durante a vida, encadeados uns nos outros, um mundo que nos julgou, nos absolveu e nos condenou para depois, uma vez cumprido o percurso de nossa vida, tentarmos fazer um balanço final.

É preciso apressar o passo. O velho vive de lembranças e em função das lembranças, mas sua memória torna-se cada vez mais fraca. O tempo da memória segue um caminho inverso ao do tempo real: quanto mais vivas as lembranças que vêm à tona de nossas recordações, mais remoto é o tempo em que os fatos ocorreram. Cumpre-nos saber, porém, que o resíduo, ou o que logramos desencavar desse poço sem fundo, é apenas uma ínfima parcela da história de nossa vida. Nada de parar. Devemos continuar a escavar! Cada vulto, gesto, palavra ou canção que parecia perdido para sempre, uma vez reencontrado, nos ajuda a sobreviver.”

Norberto Bobbio – filósofo e jurista italiano
(*18/Out/1909-Torino;†09/Jan/2004-Torino)

Fonte da gravura:
http://www.bertotti.it/genealogia/

Genealogia: 1. Estudo que tem por objeto estabelecer a origem de um indivíduo ou de uma família 2. exposição cronológica, geralmente em forma de diagrama, da filiação de um indivíduo ou da origem e ramificações de uma família 3. Conjunto de antepassados segundo uma linha de filiação.
Dicionário Houaiss da língua portuguesa

Nesta postagem aqui, mencionava que meu bisavô, chegou à cidadezinha de Barra de São João, região da baixada litorânea ao norte do estado do Rio de Janeiro, proveniente de Damasco, Síria. Infelizmente não tive a oportunidade de conhecê-lo, pois quando faleceu, minha mãe ainda era uma menina.
Conhecer a história de vida dos meus antepassados e montar a árvore genealógica é para mim uma aventura e hobby prazerosos, e algo que já dura alguns anos.
A árvore ainda está muito incompleta, mas cada informação que eu consigo com parentes mais antigos ou através de documentos que eles me emprestam é uma alegria tamanha.
Existem muitas informações sobre genealogia na internet e alguns pesquisadores conseguem fazer um estudo bastante abrangente sobre suas famílias. A de minha família é ainda uma colchinha de retalhos, mas aos poucos, eu vou chegando lá. Afinal, quando você tem sobrenomes como ‘Nascimento’ e ‘da Silva’, por exemplo, este estudo pode se tornar infinito :-) não é, mas cada novo pedacinho de história que eu consigo montar nessa ‘colcha’ familiar, torna-se sempre motivo de alegria para mim.
Com relação ao meu bisavô de Damasco, seu nome era Phelippe Gibara. E a história dele, assim como toda história de família, é fascinante, pois se trata da seiva de parte do que sou agora. Infelizmente o que sei é pouco. Um dia, quem sabe, chegarei aos meus parentes de Damasco, porém, por não ter encontrado ainda registros no Arquivo Nacional a respeito de sua chegada ao Brasil ( faltam-me datas importantes!), a pesquisa se torna ainda mais desafiadora, para não dizer difícil…
Uma tia querida, já falecida, me disse certa vez que seu pai veio para o Brasil com muitos ‘patrícios’. Uma versão da história é que ele fugia de uma guerra e neste caso, estamos falando do século 19. A outra hipótese é que seu pai havia se casado pela segunda vez e por não aceitar este segundo casamento, decidiu imigrar……. (bem, ainda não sei qual versão é mais confiável). Talvez este pedaço da história seja eternamente parte do folclore da minha história familiar. Minha tia também contava que ele não gostava que os filhos participassem dos encontros dele com seus patrícios. Uma curiosidade é que ele não ensinou árabe aos filhos, mas nesses encontros, meu bisavô e seus amigos sempre se comunicavam em árabe. Às 18 horas, sempre rezavam a Ave-Maria! (Eram cristãos!) Os filhos participavam mais da vida do pai e as filhas ficavam mais com a mãe. Phelippe se estabeleceu na região de Campos e depois em Barra de São João. E lá, bisavô Felipe casou com a minha bisavó Josefina e juntos tiveram mais de 10 filhos, dentre os quais, minha avó Lucília Gibara, também nascida em Barra de São João, que por sua vez, teve a minha linda mãe Gilda em São Gonçalo, RJ, que me teve há algumas décadas na cidade do Rio de Janeiro, antiga Guanabara. Não é maravilhoso pensar que estamos todos interligados?
Do lado de meu pai, a minha história está entrelaçada com índios, paraibanos, portugueses e quem sabe holandeses? Esta parte ainda é mais complexa, já que tenho menos informações e os sobrenomes são mais comuns.
Nossos parentes mais idosos são verdadeiros tesouros vivos, pois podem nos contar o pouco ou muito que sabem a respeito de seus pais, avós, bisavós, etc e da época em que viveram, a infância, a juventude, a idade adulta e a velhice. Além de datas, cidades e países de origem, o mais maravilhoso da genealogia é o tear de uma história que vai sendo construída através de ‘causos’, narrativas únicas que se não fossem registradas, certamente iriam se perder no tempo. Portanto, amigos, se vocês gostam deste assunto, encontrem-se com os seus parentes mais velhos e como ao redor de uma fogueira, deixem-os contarem suas histórias de um tempo e de suas vidas, sem pressa, pois além de serem momentos de aconchego familiar com os mais velhos, nós guardaremos para sempre a nossa história, nos conheceremos melhor e esta história poderá ser recontada por nossos filhos, netos e bisnetos…..

Encontrei um poema muito bonito na net que retrata esta sensação de acolhimento e o encanto que é fazer pesquisa genealógica.

ANCESTRAIS

Sentem comigo aqui, por um instante,
Para contar-me as coisas que não sei.
Digam para mim dos sonhos de futuro,
Das ramas de verdor por sobre o muro,
Das terras que eu pensava tão distantes
E que, ao conhecer, eu tanto amei.
Falem aos meus ouvidos com esse canto
De quem tem outro jeito de cantar.
Mostrem-me as veias, o semblante, o pranto
E me recolham desse desatino
De querer explicar o meu destino,
De querer descobrir o meu lugar.
Sentem comigo aqui, por um momento,
E permitam que eu tome as suas vidas
Com toda a alma e força do meu ser.
Talvez, quem sabe, eu seja esclarecida;
Talvez, assim, à luz do sentimento
Eu possa, afinal, compreender
Sentem comigo aqui, só um pouquinho;
A mim revelem todos os segredos
Desse sangue comum que nos é dado.
E eu certamente irei dormir sem medo,
Amparada no amor e no carinho
Que me vêm tão claramente do passado.
Sentem comigo aqui, que eu agradeço
A honra, a gente, a descoberta, a História
Que de vocês me pousam na memória
E me conduzem para onde estou.
Eu posso ser melhor porque hoje cresço
E mais que muita gente… sei quem sou !

(Escrito por Regina Cascão)

Beijos para vocês!

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Esse texto foi postado em sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008 às 13:04 nas categorias Família, Genealogia, História, lugares, árvore genealógica. Você pode seguir as respostas pelo RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou trackback do teu próprio site.

7 Comentários para “Genealogia”

  1. Meire escreveu:

    Soninha,
    Qdo meus pais e avos eram vivos, eu adorava sentar ao lado deles e perguntar. Queria saber tudo, das historias, da vida, dos antepassados, de onde vieram…

    Hoje nao tneho mais nenhum deles, mas tenho muita coisa que me contaram guardadas aqui dentro de mim.
    Bjs

  2. Sonia H. escreveu:

    Meiroca,
    Tenho certeza que este é um tesouro precioso para você. Meu pai também já se foi mas tenho em minhas lembranças, histórias maravilhosas que nós compartilhávamos. Eu adorava ouvi-lo, sabe. E quando pequena, depois do almoço, ele se deitava um pouco e eu ficava ao lado dele não deixando-o dar o cochilo que ele precisava. Eu ficava só querendo conversar, mexendo no rosto dele.
    Saudades, amiga. Mas está tudo aqui, e essa vivência não tem preço..
    Beijos,
    Sonia

  3. Grace Olsson escreveu:

    Bobbio foi uam cabeça pensante e que colabora até hj com a formação de juristas pelo mundo todo.
    Eu estudei 6 meses filosofia, dentro do curso de Direito e o professor debatia muito sobre as ideias dessa criatura iluminada.
    Vim te visitar agora por que estou em viagem.
    Dias felizes

  4. evipensieri escreveu:

    Sonia, é muito legal sabermos sobre a vida de nossos antpassados. Histórias, livros, fotos, objetos …
    Minha mãe tem muita coisa que ficou dos parentes, ela gosta de guardar essas lembranças … É muito legal.

    Bjs.
    Elvira

  5. Alessandra escreveu:

    Adorei seu post Sonia e fiquei me lembrando das histórias que a minha avó paterna contava sobre os meus bisavós sobre quando eles vieram da Espanha para o Brasil.

    Eu tenho foto deles e muitas evzes fico olhando e vendo como nossos traços são parecidos.

    As lembranças sobre nossa família são tesouros que adquirimos que ninguém mais tira de nós.

    Beijos

    Alê

  6. Regina Cascão escreveu:

    Só hoje vi meu poema no seu blogg. Genealogia é meu prazer, meu deleite, minha salvação da insanidade. Indo atrás da minha história familiar, acabei Diretora do Colégio Brasileiro de Genealogia e convido vc pra dar uma olhada na página dele: http://www.cbg.org.br. E se quiser me ver, vá no link O Colégio/Quadro Social/Sócios Titulares. Eu estou na cadeira 28.
    Um abraço, e parabéns pelo blogg, pelo qual naveguei um pouco.
    1º-jan-2010
    Regina Cascão

  7. Sonia H. escreveu:

    Olá, Regina,

    Prazer em conhecer a autora de poema tão belo e verdadeiro! Genealogia é uma paixão mesmo – e pelo visto, você é expert no assunto!
    Aquele post que fiz no ano passado ainda é atual. A colcha de retalhos continua…. e é como trabalho de detetive, creio eu… Gostaria muito de conhecer o passado do meu bisavô. Mas tenho um ponto oco nessa história: descobrir o ano, quando ele veio para o Brasil. Não consigo documentos. E aí fica mais difícil.
    Visitarei a indicação do site que você me enviou com calma.
    Obrigada pela visita. Feliz 2010 para você e parabéns pelo lindo estudo de genealogia.

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